domingo, 28 de dezembro de 2008

Nada de Mais


Impressionante como quando temos que fazer algo por obrigação tudo fica mais complicado, coisas extremamante simples que fazemos naturalmente, tornam-se complexas, desprazerosas e árduas.
Sete dias passaram-se desde que minha irmã me pediu para escrever um texto "legal".
Passei a semana planejando sobre o que eu poderia discorrer e... NADA! Era incrível, mas pensar estava sendo aterrorizantemente difícil.
Então parei, juntei um aglomerado de palavras estranhas e pouco usuais e fiz um poema. Sem emoção, sem sentido, mas recheado de frases complicadas e ao final nada tinha dito.
E isso tudo me fez entender como as palavras sem sentimento têm o cruel poder de não dizer nada. Havia escrito uma página e não tinha dito absolutamente NADA!!!!
Desesperei-me...
Comecei uma crônica sem saber até onde iriam os meus pensamentos, findei o texto e vi que eles não tinham ido a lugar algum.
Depois de inúmeras folhas rabiscada, rasgada, rascunhadas. Após dizer, desdizer e dizer de novo. Depois de brigar, me xingar, me desesperar... Vi que coisa alguma adiantou!
Cheguei a uma conclusão que neste momento acalenta a minha alma: não precisamos nos forçar a fazer algo que não queremos. Escrever é uma forma sublime de exteriorizar o que se sente, o que se pensa. É uma transcrição do ser. São as alegrias, as tristezas, o vazio que nos impulsiona a escrever.
Hoje vejo que estou sentindo apenas o NADA DE MAIS. O que escrever quando se sente nada de mais?
Este texto explica?!!

Lutar com palavras é a luta mais vã. Entanto lutamos mal rompe a manhã. (...) Palavra, palavra (digo exasperado), se me desafias, aceito o combate.
Carlos Drummond de Andrade

Imagem Extraída de: http://lambret.files.wordpress.com/2008/06/vazio.jpg

7 comentários:

Falcão disse...

Escrever por obrigação é algo completamente desestimulante e desconcertante. Porém acredito q isso tenha sido inspirador pra ti, pela simplicidade e beleza do texto!

O NADA é algo sério, mesmo narrando um sentimento de vazio, ja é a narração de algo importante, importante pq vc sentiu, se é sentido: seja dor ou alivio, é significativo!

Duvido mto q esses textos em q descreves como tendo escrito NADA, tenha realmente feito isso! És sensível e talentosa.

PArabéns!

Juan Barreto: disse...

eu concordo.
Escrever obrigado é como se alguem pusese uma bacia diante de nós e disesse "MIJE!"
Não é assim que funciona
:)

Juan Barreto: disse...

Escreve r por obrigação é como se alguém pusesse uma bacia diante de nós e disesse"MIJE!"
Nao é assim qu funciona!
:)

Fordelone disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fordelone disse...

Explica plenamente, inclusive, me faz lembrar uma poesia genial, da qual não me lembro o autor e tampouco as palavras exatas utilizadas, mas era mais ou menos assim:

"Pensa, pensa, pensa, pensa
E a palavra não vem, não vem, não vem, não vem..."

Enfim, ótimo texto. Me identifico bastante com ele.

Espinho de Quiabento disse...

Gostei muito... nada mais brochante do que o prazo - ampulheta descendo areia ladeira abaixo... Parabéns

LindenbrocKaramazov disse...

se Machado de Assis inventou algo do tipo:

"Ó flor cândida e pura

(...)

perde-se a vida
ganha-se a batalha"

o começo e o fim de um poema sem futuro... também temos o direito de sermos inférteis de vez em quando...