domingo, 20 de dezembro de 2009

VIAGEM PAÊBIRÚ I (ENCONTRANDO O GRITO)


Eu, esse peso urbano, avenidas e concreto nas palavras,
Durmo e engulo fumaça, e máquina, telas, e-mails.
Meus sonhos anunciam:

Você não pode perder! É a última chance! Últimas peças no estoque!
compre dois leve um! Pra fazer você feliz! Porque você merece!
Seja! Faça! Tome! Coma! Durma! Vote! Pare! Vá! venha!
Pra fazer você feliz! dois por um!

Você merece... Você merece...

Meus ouvidos se inundam
Vis trombones:

Cala a Boca!

Íntimo outdoor piscando o vermelho:

Cala a Boca!

...Sórdido letreiro!

Cala a Boca!




(...)




Mas algo me grita inteiro!

VIAGEM PAÊBIRÚ II (REENCONTRANDO O OLHAR)


O olho da dor – o gozo da rasteira?
O olho que adentra e vibra pedindo derrota?
Perdi-me de suas janelas...

As casas coloridas, as pedras, olho de irmão,
Olho poeta, que risca fogo no céu, inventa palavra,
Dança na roda, o pé bate de um lado, o mundo gira,
no passo da volta só o novo, negras, vestidos estampados

Está aceso:

Meu olho queima!

Trago:

O olho vivo.

Solto:

Minha cegueira.

O vento dilacera o fio branco da fumaça
Não há mais forma nisto tudo!

(des)for(matei) de fome!

O olho de quem?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Rascunho>>

Rascunho>>
cada dia mais saudades sinto de ti>
diante desta ausência que não me faz esquecer>
que em cada momento de todo o instante>
existe a semelhança da tua alma com a minha.>>

Que nossos pensamentos são iguais,>
como iguais são as opiniões,>
os nossos gostos e os dessabores>
iguais somos nós.>>

Iguais até na diferença>
Diferentes nas igualdades>
Igualmente distantes>
E espiritualmente próximos.>>

Não tão distantes, quanto sinto>
Pois, estamos unidos pelo mesmo sentimento:>
SAUDADE.>

usspicui

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A Pele de Onagro e a Morte no Horizonte da Existência

Dostoiévski colocou uma questão intrigante e desafiadora: Se não há imortalidade, tudo é permitido? De que modo censurar em alguém o prazer vicioso e sem limites do presente, em prol de um prazer de um futuro incerto de uma vida virtuosa pautada pela sabedoria?

Balzac, escritor francês do século XIX, escreveu várias obras de uma qualidade elogiável. Uma destas foi o romance A Pele de Onagro, primeira dele que se destacou no meio crítico. É um romance que faz a mistura de elementos realistas e fantásticos. Embora original, tem um enredo que lembra um pouco o Fausto de Goethe, que insatisfeito com os frutos de sua vida intelectual, vendeu a alma ao diabo a fim de obter poder e experimentar um sentido satisfatório na vida.

Raphäel é o protagonista principal. Jovem pobre, de talento intelectual distinto e com uma insaciável vontade de experimentar os prazeres de uma sociedade parisiense aristocrática, cheia de encanto, com suas mulheres coquetes, com seus banquetes e todos outros atrativos de uma vida voltada ao elegante, ao extravagante, ao belo, ao alegre e ao dinheiro. Após desprezar Pauline, moça linda, por ser pobre, apaixona-se por uma mulher coquete e sem coração Fedora. Enfim, desprezado friamente por esta, apesar de todos sacrifícios financeiros, feitos sob a falsa aparência de status e riqueza, o mesmo se lança à vida do jogo onde encontra sua ruína total. Nesta situação deseja morrer.

No dia que decide se matar, encontra um velho que lhe oferece um talismã mágico, uma pele de onagro (uma espécie de jumento do oriente). Nesta havia uma inscrição em sânscrito: "Se me possuíres, possuirás tudo. Mas tua vida me pertencerá. Deus quis assim. Deseja, e teus desejos serão realizados. Mas regula teus desejos por tua vida. Ela está aqui. A cada desejo, decrescerei assim como teus dias. Queres-me? Toma-me. Deus te atenderá. Assim Seja."

Raphäel aceitou possuir o talismã, sem levar muito a sério as consequências do poder destruidor do mesmo. O primeiro desejo foi participar de uma grande festa, cheia de orgias, com convidados ilustres, jovens, alegres e intelectuais, com belas mulheres ardentes e com muita bebida. O que aconteceu. E depois desejou ficar milionário. O que também aconteceu. Tal foi a surpresa dele quando percebeu que a pele de fato estava diminuindo.

É neste ponto que a morte surge no horizonte da existência. Raphäel apercebeu-se de que a cada desejo satisfeito sua vida ia se aproximava do fim, por conta do pacto que fez ao tomar para si o talismã. Interessante é que quando vivia numa situação de pesar, sofrimento, humilhação e pobreza, a vida era-lhe desinteressante. Mas, agora, tendo todo poder para desfrutar da fama e dos prazeres, a vida agora lhe aparecia como algo de alto valor. Temendo a morte, Raphäel tornou-se praticamente um eremita, isolou-se na sua mansão a fim de não se colocar em situações nas quais seus desejos pudessem ser despertados. Mas, não podia evitar o contato social, que aos poucos foi lhe seduzindo.

Durante todo o restante do livro, Balzac mostra a relutância e os cuidados de Raphäel para adiar sua morte, o que era algo inútil. Pois a morte se afigurava como uma realidade inevitável, uma vez que era impossível viver uma vida sem desejos. Porém, surge uma questão para o leitor: Inevitável não é a morte para todos os seres humanos, independente do talismã ou não? Eis uma das condições da existência. Condição esta que torna a existência humana, caracterizada como uma infinda fuga do presente, como uma fuga para o nada. O homem que se orienta sempre a um futuro, vislumbra no horizonte da existência a Morte.

Que vale ter um poder de satisfazer todo desejo se este poder não é suficiente para deter o destino inexorável que é a Morte? Neste contexto de uma existência condicionada à mortalidade, que implica na finitude da vida, na limitação e na restrição de uma vida insaciável de desejos, surge a questão prática de como se portar na vida. Orientar a existência à busca da virtude e da sabedoria ou então ao esgotamento de todas energias na busca por uma satisfação, inconseqüente, de todos os desejos, usufruindo de um prazer instantâneo e vicioso?

Nesta obra Balzac desafia-nos a censurar racionalmente a prostituta, que imprudente, cheia de vícios e extravagâncias interpelada sobre seu futuro responde: "O futuro? ... Que é que chama de futuro? Por que hei de pensar numa coisa que ainda não existe? Nunca olho para trás nem para diante de mim. Já não é bastante ter de me ocupar com o dia inteiro duma vez só? Além disso, o futuro já conhecemos, é o asilo." Preferindo viver uma vida voltada aos prazeres, enquanto durar os encantos da beleza, esta mulher prefere a vida cheia de vícios, ciente de que possivelmente terá uma velhice desconfortável e sem encanto desprezada pelos homens. Raphäel parece incapaz de censurar esta mulher e mesmo intrigado com o comportamento da prostituta, reflete através de uma pergunta retórica com seu amigo que independente do modo de vida "quer vivamos com os sábios ou morramos com os loucos" o resultado é, cedo ou tarde, o mesmo.

Concluindo, Balzac coloca em sua obra, A Pele de Onagro, a questão do significado da existência e o impacto da morte sobre ela, fazendo refletir sobre a fragilidade até mesmo de um poder ilimitado para satisfazer um querer insaciável. E por fim fica a questão: que diferença faz para um ser, que só pode vivenciar um presente fugidio, o estilo de vida vicioso ou virtuoso, sábio ou louco, prudente ou inconseqüente, se a morte até agora tem se mostrado como um destino inevitável?

Johannes Alienus Amens.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O mistério da catraca do contra...

Um cobrador doidin de pedra,
Se enrolando com os comandos digitais
Essa era moderna, eletrônica
Uma fila de peregrinos,
À espera de passarem pela catraca,
Sentarem no seu cantinho
Sem perder o famoso "Guarabia" (:?)
Meia hora depois,
10 gritos desesperados do cobrador...
Puxa o carro!
Café do vento, ao vento
Vai o primeiro,
O corajoso ou o escolhido do destino?
Experimentar a catraca.
E eis que a gulosa engole o cartao,
Sua luz verde acende,
Até aí nada demais, é o que ela tem que fazer
Porém na melhor parte que é descer...
Emperra!
Nem pra lá nem pra cá,
AHHHHHHHHHHHHHHHHH
Calma, seu cobrador
KKKKKKKKKKKKKKK
Fecho os olhos, viro o rosto pro lado e nao aguento
Vamos desparafusar esse troço
Como eh que 30 pessoas vão descer,
passando pela catraca do contra?
Mexe daqui, catuca dali...
E eis que ela cede, ou melhor é cedida
E todos descemos contentes,
Afinal, enfim casa.
Enfim, sexta!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Macbeth - Destino e Liberdade: Uma Leitura Existencialista do Macbeth de Shakespeare

Macbeth foi um personagem cruel de uma das mais sombrias peças teatrais que Shakespeare escreveu, cujo título leva o mesmo nome de seu protagonista. A obra, mesmo sendo, é claro, uma ficção explora um lado obscuro da humanidade, cuja análise fornece elementos esclarecedores das condições existenciais do homem.

A presença de figuras mitológicas e sobrenaturais, tais como a deusa grega Hécate, espíritos e fantasmas, bem como o papel proeminente das três bruxas, com todo enredo girando em torno do Destino e das Profecias feitas a Macbeth e a Banquo, logo no início, podem levar à uma idéia de que Macbeth tenha sido apenas um fantoche nas mãos da Necessidade, a cumprir um Destino, uma vez que este foi traçado a priori por forças "sobrenaturais".

Logo na primeira cena do primeiro ato, aparecem as três bruxas, cientes dos acontecimentos políticos, aguardando o final duma batalha, em que Macbeth estava participando, para poderem então de modo premeditado se reunirem e se encontrarem com este no pântano. E este encontro acontece logo após o Rei Duncan ter nomeado Macbeth barão de Cadwor, recompensado-o pelo modo como lutou e se portou na batalha. Neste ponto do drama, Macbeth é visto como um herói, homem nobre, digno de honra e de confiança. Uma imagem totalmente oposta da que ele veio a ficar sendo conhecido, como tirano sanguinário cujo nome tinha sinônimo de horror.

Sugestiva são as palavras finais das três bruxas no ato 1, cena 1: "Faire is faule, and faule is faire..." que podem ser traduzidas com uma expressão paradoxal: "o belo é feio e o feio é belo". Esta idéia é marcante em toda obra, onde os julgamentos dos personagens estão constantemente equivocados, tomando várias vezes o nobre pelo vil e o vil pelo nobre. Macbeth, visto como herói pelo Rei Duncam, revela-se depois como pior do que o antigo barão de Cawdor, que se rebelou contra o reino e foi executado por traição. É interessante esta idéia de ambiguidade, pois a existência sendo distinta da essência, carrega em si toda uma série de ambiguidades, onde num movimento dialético, alternam-se elementos contrários entre si, na formação de uma síntese, como o feio e o belo, que às vezes coexistem numa mistura estranha.

Esta tragédia gira em torno da idéia lançada no primeiro encontro das bruxas com Macbeth e Banquo. Elas dirigem àquele três saudações, chamando-o primeiramente de barão de Glamis, depois barão de Cawdor e por fim de futuro Rei. Neste momento Macbeth ignorava que o Rei Duncam o havia nomeado barão de Cadwor. E fica surpreendido com tais saudações. Depois de inquiridas, as bruxas também se pronunciaram acerca de Banquo, dizendo-lhe que este não seria rei, mas teria filhos reis. Aqui, Macbeth e Banquo são apresentados a um Destino "traçado". Mas, será que este estava mesmo determinado de antemão?

Embora, Shakespeare faça uso de figuras sobrenaturais, míticas e fantásticas, pode-se notar que as ações de Macbeth, bem como os acontecimentos que o levaram a ser rei e mais adiante levaram à sua morte, seguem um curso bem natural. As palavras das bruxas, mais do que profecias, podem muito bem ser entendidas como motivadoras e manipuladoras, explorando a vaidade e orgulho das condições psicológicas humanas de Macbeth e Banquo. Afinal, quando elas o saudaram de barão de Cawdor, ele já havia sido nomeado.

Macbeth então tem diante de si um Destino anunciado. Poderia evitá-lo? Em sua vaidade e em seus desejos mais ocultos do coração desejava ser Rei e portanto escolhe ir ao encontro de seu Destino. Mas, ele não se coloca como alguém passivo, esperando que a Necessidade lhe torne Rei, mas ele mesmo dá um jeito de ir ao encontro de seu Destino anunciado. No começo, houve nele uma luta entre o ser (seu desejo) e o dever-ser (obrigações morais). O ser do desejo de ser Rei conflitava contra o Dever-Ser moral de não atentar contra a vida do Monarca. Porém, com a influência "maléfica" de sua esposa, Lady Macbeth, a quem relatou apenas parte das profecias, omitindo as palavras proferidas à Banquo, ele então comete o assassíneo do Rei Duncan, aproveitando o fato de que este estava hospedado em sua casa, durante uma noite. Um ato visto como altamente imoral e covarde.

Após o fato consumado, Macbeth passa a sofrer dos sintomas da culpa, sinal de que ele se sentia responsável e livre diante da escolha que fez. Ele matou o Rei, sujou as próprias mãos de sangue, num ato vil e terrível, digno de toda censura. Como sintoma da liberdade e responsabilidade, ele e a esposa passaram a ser atormentados pela consciência e sentimento de culpa.

Um ato assim, do assassíneo do Rei, precisa ser mantido, consequentemente para manter a situação sob controle, outros crimes surgiram à medida que outros personagens surgiam como ameaça. Chega um momento que Macbeth inverte o status de sua relação com o Destino, que no começo era desejado, agora repudiável. Ele então passa a lutar contra o mesmo Destino à qual pouco tempo antes, ele mesmo fez questão de ir ao encontro. Por exemplo, Banquo passou a ser uma ameaça, pois o destino foi o anunciou como sendo aquele que teria filhos reis. Macbeth se revolta então com a idéia de que tudo o que ele fez, todo tormento à qual se submeteu, tenha sido realizado em benefício de outros e que no fim, por meio de sua ruína, reinaria os filhos de Banquo. Por isto providencia a morte de Banquo e de seu filho com o objetivo de extinguir a ameaça nadificadora do seu Destino. O fato de Fleance, filho de Banquo ter escapado, funcionou como uma fonte de angústia. Ele não poderia viver agora em paz, pois o filho de Banquo vive. E o Destino figurava no campo das possibilidades futuras.

A figura mitológica da deusa grega Hécate, mais as sobrenaturais aparições de espíritos, surge neste contexto auxiliando as três bruxas para o desfecho final da trama. Mas, novamente, o que temos são pronunciamentos dirigidos à Macbeth funcionando mais como elementos indutivos e provocadores do que profecias. O objetivo destas figuras maleovolas era então produzir uma Confiança excessiva em Macbeth, que segundo Hécate consiste na maior inimiga do homem. Macbeth é incitado então a atentar contra a vida do nobre Macduff. A segunda aparição de modo dúbio e enigmático faz com que Macbeth pense ser alguém praticamente invulnerável, dizendo que este não poderia ser morto por nenhum homem nascido de mulher. Por fim, a ele é dito por uma terceira aparição: "Seja valente como um leão, orgulhoso, e não dê atenção aos outros. Eles que se irritem, eles que se queixem, eles que conspirem onde bem entenderem. Macbeth jamais será vencido, a menos que o Grande Bosque de Birnam marche contra ele, vencendo as doze milhas até os altos da Colina Dunsinane." (Ato IV, Cena I).

Ora, aqui Macbeth é induzido a se comportar imprudentemente, segundo as intenções de Hécate: "Ele vai menosprezar o Destino e zombar da Morte, e nutrirá suas esperanças sem levar em consideração o bom senso, a delicadeza de espírito e os receios dos mortais." (Ato III, Cena V). Na trama, o filho do Rei Duncam, junto com Macduff, cuja família havia sido morta cruelmente a mando do tirano, receberam apoio militar dos ingleses para investir e destituir Macbeth, que com seu excesso de confiança agiu imprudentemente, não fazendo nenhum esforço para se proteger do perigo.

Sua esposa, atormentada pela culpa, sentindo constantemente suas mãos sujas de sangue, morre num ambiente de desolação. Ao receber a notícia da morte de sua esposa ele tenta minimizar o fato com palavras carregadas de um eloquente pessimismo existencial:

"Ela teria de morrer, mais cedo ou mais tarde. Mais tarde haveria um tempo para essa palavra. Amanhã, e amanhã, e ainda outro amanhã arrastam-se nessa passada trivial do dia para a noite, da noite para o dia, até a última sílaba do registro dos tempos. E todos os nossos ontens não fizeram mais que iluminar para os tolos o caminho que leva ao pó da morte. Apaga-te, apaga-te, chama breve! A vida não passa de uma sombra que caminha, um pobre ator que se pavoneia e se aflige sobre o palco - faz isso por uma hora e, depois, não se escuta mais sua voz. É uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria e vazia de significado." (Ato V, Cena V)

Logo após falar isto, Macbeth tem sua confiança abalada, quando é noticiado que o Grande Bosque de Birnam estava marchando contra ele, isto porque os soldados inimigos se camuflaram com os galhos deste bosque, fazendo uso de uma tática de guerra. E depois quando fica sabendo, no momento que lutava com Macduff, seu inimigo irado e com sede de vingança, que este não nasceu de parto normal. Inconformado e não querendo ser humilhado, não se rende, lutando até ser decapitado por Macduff.

Lendo esta tragédia pode-se perceber que em todo momento Macbeth se encontra numa situação de liberdade. Uma liberdade relativa às condições existenciais, pois esta liberdade coexiste com o Destino e com ele se relaciona. Porém, este Destino não é caracterizado por um elemento essencialista e sim como sendo a consequência das escolhas livres que faz Macbeth. A liberdade não precisa ser pensada como sendo algo pertecente somente a quem é onipotente sobre as condições existênciais, mas está presente sempre que existe alguma forma de possibilidade de ação associada às escolhas mas poder de execução. Sob as condições psicológicas, Macbeth escolheu satisfazer seu desejo de se tornar Rei, mesmo contrariando sua própria consciência e o bom-senso e as consequências de um regicídio. Escolheu acreditar apenas naquilo que a ele era favorável. Agiu de má-fé ignorando a Razão nas situações mais cruciais, que no fim culminaram em sua morte.

Concluindo, ao escolher ser Rei daquela forma, Macbeth traçou de modo livre, para si mesmo um Destino, cujo fim não tinha muitas chances de bom êxito. A obra termina e não menciona nada sobre quem sucedeu o trono. O futuro fica em aberto. O personagem Shakespeareano é um personagem humano, condicionado pela estrutura psicológica, física e social e nestas condições, sendo livre para fazer escolhas, sempre tendo como possibilidade ir por outro caminho, mesmo que seja o caminho da nadificação total da existência na recusa de se submeter às condições existenciais.

Johannes Alter.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

(Com)Sequências


Um olhar
Um sorriso
Um carinho
Um beijo


Uma troca de olhares. Coisa parecida com aquele filme francês que você ama, mas que tem uma cena que você nunca entende. Essa é a cena. Algo despretensioso, acidental, sem começo, sem meio, sem fim. Apenas uma troca de olhares...

O sorriso vem depois. Surge "mecanicista". Quase uma obrigação. O simples ato de contrair e esticar músculos da face. Depois, larga a metalização e torna-se humano. Tão humano quanto podemos ser. Sai do frio e transforma-se em algo verdadeiro. Ai deixa de ser humano...

O carinho segue. A mão que acaricia a mão amada, que brinca com os cabelos, que roça o rosto (que ainda contém o sorriso "não-mais-humano" da etapa anterior), a troca de calor, de sensações... Que faz carinho ser carinho. Carinho de criança.

Surge o beijo. Molhado, seco, longo, veloz, roubado, "vagabundo", "principe", quente, frio, escondido, escancarado, timido, desinibido... Beijo.

Beijo, carinho, sorriso, olhar... e tudo se faz assim, belo e simples...


*Agradecimentos à Lorena pela ajuda na pesquisa de uma boa imagem...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Quanto pesa a morte de um trabalhador?




Tomba mais um - guerreiro de mão calejada, herdeiro desta luta.
Tomba mais um – filho esquecido do estado, destratado em desmedida.
Leva consigo o trabalho, e a pesada memória, de sua vida roubada.

Não será lido nos jornais, nem debatido nos bares,
É mais um que cai na vala do inconsciente coletivo,
Sepulcro da amnésia diária, da lembrança proibida, que nos entala à mesa,
E nos cega de melodramas e sonhos voláteis, com propaganda e sorrisos.

Amanhã pegaremos o ônibus, leremos um livro, compraremos pães, iremos a festas.
Engoliremos calados: a educação das fileiras, o destrato, e o aumento dos preços.
Sem que nos pese a morte, sem que nos pese a fome, sem que nos pese a dor.

Alheios à sua coragem, e de tantos outros, ouviremos um parecer técnico,
Uma análise sócio-econômica, uma mensagem bonita no programa matutino.
Choraremos por isso, e pelo final da novela, glorioso destino do moçinho.

Mas, não daremos lágrimas à sua morte.

Enquanto nós, frios corpos, urbanóides frenéticos a procura do melhor lugar na prateleira deste hipermercado de trabalho, buscamos um sentido, uma droga, um remédio pra depressão, um casamento, uma vida perfeita,
Outros pelejam a vida, dia a dia,
Negando o morrer constante,
A dignidade usurpada.

Levantam a cabeça – longe de nossa insensibilidade – alargam seus braços,
Atiram seus gritos, denúncias, sua força coletiva, sua incansável firmeza.
Destinam-se a enfrentar, corajosos, as encomendas de morte destes covardes de ternos, de posses e possessões.
Mil vezes Covardes! Que pra silenciar o povo, pagam por força e capuz, armadilha, escopeta, e tiro na nuca.

Tomba mais um - por manter seu punho erguido, e não minguar de febre ou fome.
Sofre o seu povo, com suas flores de luta e seu vermelho encarnado a tremular nas bandeiras.
Tomba mais um...
Quantos mais serão necessários? Para que nos canse a morte?
Quantos mais serão necessários? Para lutarmos em vida?

* sobre uma liderança do Movimento dos Atingidos por Barragens, executado numa emboscada em 29 de julho de 2009, em Pedro Velho, reassentamento dos atingidos pela construção da barragem de acauã, em Aroeiras – PB.
*vídeo sobre a situação dos atingidos pela barragem de Acauã - www.mabnacional.org.br/noticias/150609_video_acaua.html

domingo, 2 de agosto de 2009

Silêncio


[...]








































NADA!











































Agora só consigo escutar sua ausência de resposta.




























Eis que reina o silêncio.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Declaração Universal dos Seres Aleatórios


Alguns textos vem e vão na nossa vida. Esse constantemente surge para mim... Alguns conhecem...

Declaração Universal dos Seres Aleatórios


Somos do sol e de lua, mas podemos xingá-los.

Somos Headbangers, punks, goths, mas a música vizinha sempre atrai.

Somos Ateus apegados a Deus

Somos a sinestesia

Somos a bipolaridade

Somos a verdadeira esquizofrenia do mundo.

E talvez, a sua maior diversão

Não temos futuro, não temos dinheiro, mas temos bebida!

Somos frutos do acaso.

Filhos bastardos da vida, e sem direito a herança!

Nas nossas veias não correm sangue, correm dados

Padrão genético de nossa aleatoriedade.